O pôr-do-sol é igual à tuas palavras:
Ditas, ao logo da estrada,
Guardadas, para um dia me entregar.
Como forma, em fôrma conduzir,
Trouxe, dentro de mim,
Os versos, certos, dedicados a ti:
"Hoje te amo mais que ontem
Agora te amo, mais, e sempre,
Amanhã, eu e você, eterna, mente."
O paralelepípedo e o pedido
Andar na rua com a cabeça na lua,
Faz de menina sonhadora, tola!
Vem um paralelepípedo,
Solto, no meio do caminho,
E os sonhos, alvinhos,
E os pés, macios,
Desatam suas raízes ao chão.
Esparadrapo, gesso,
Esparadrapo, gesso...
Espere um pouco...!
Eis a solução! Já dizia a vovó:
"Depois que casa, melhora!"
Diga-me pois o que vou fazer aqui sem o céu?
Corre! Temos apenas uma semana...
Já te espero de grinalda e véu!
Faz de menina sonhadora, tola!
Vem um paralelepípedo,
Solto, no meio do caminho,
E os sonhos, alvinhos,
E os pés, macios,
Desatam suas raízes ao chão.
Esparadrapo, gesso,
Esparadrapo, gesso...
Espere um pouco...!
Eis a solução! Já dizia a vovó:
"Depois que casa, melhora!"
Diga-me pois o que vou fazer aqui sem o céu?
Corre! Temos apenas uma semana...
Já te espero de grinalda e véu!
Óculos escuros
A invenção para tapar o sol,
Não é de hoje modinha de garoto...
De relance, bate, olha e fica;
Nem sequer coração disparatina,
E já sai rebolando no rebolar da menina.
Não é de hoje modinha de garoto...
De relance, bate, olha e fica;
Nem sequer coração disparatina,
E já sai rebolando no rebolar da menina.
À bordo
Coração é vagão de passagem
Aquele que apita no "à vista" o trem.
Quando aparece na gare,
Vem de terno e gravata,
Carregado por um buquê de rosas,
E encharcado de perfume francês.
Até que a locomotiva pare,
Não para de suar as mãos.
Até que as mãos se enlacem,
Se em linha sozinho na multidão.
Depois de minutos de espera,
Sem a moça, desespera.
Coração pula da janela,
E embarca nesse trem.
E canta:
"Em algum canto dessa estrada,
Vai vestida de renda e flor,
Em ti, vou encontrar meu sorriso,
Que no teu riso, comedido,
Já se faz em cheiro de beijo, amor."
Aquele que apita no "à vista" o trem.
Quando aparece na gare,
Vem de terno e gravata,
Carregado por um buquê de rosas,
E encharcado de perfume francês.
Até que a locomotiva pare,
Não para de suar as mãos.
Até que as mãos se enlacem,
Se em linha sozinho na multidão.
Depois de minutos de espera,
Sem a moça, desespera.
Coração pula da janela,
E embarca nesse trem.
E canta:
"Em algum canto dessa estrada,
Vai vestida de renda e flor,
Em ti, vou encontrar meu sorriso,
Que no teu riso, comedido,
Já se faz em cheiro de beijo, amor."
Segredo
Conta só pra mim?
Se o problema é o mundo saber,
Fica tranquilo!
Pra mim, o mundo só sou eu e você...
Se o problema é o mundo saber,
Fica tranquilo!
Pra mim, o mundo só sou eu e você...
Horas
Convenhamos: o relógio faz barulho sim!
Mas só quando o tempo é medido com horas.
Se esquecemos os ponteiros em casa,
E substituímos os segundos por abraços,
Fica bem mais fácil pro tempo,
Digo, ele mesmo,
Passar,
Sem demorar.
Mas só quando o tempo é medido com horas.
Se esquecemos os ponteiros em casa,
E substituímos os segundos por abraços,
Fica bem mais fácil pro tempo,
Digo, ele mesmo,
Passar,
Sem demorar.
Romântica moderninha
Ela adora chocolate,
Lê Clarice todo dia,
Usa vestido rendado,
E escreve versos,
Apaixonados.
Na agenda colorida,
Suas preferências:
O toque? Seda.
O cheiro? Chuva.
O gosto? Jujuba.
A música? SMS chegando!
Lê Clarice todo dia,
Usa vestido rendado,
E escreve versos,
Apaixonados.
Na agenda colorida,
Suas preferências:
O toque? Seda.
O cheiro? Chuva.
O gosto? Jujuba.
A música? SMS chegando!
sonho de menina
sou menina e chegou a hora de dormir.
vou dormir pra preservar as palavras,
para tornar as palavras o meu voto de verdade.
depois vou guardar essas verdades dentro de uma caixa,
e essa caixa vai ser amarrada com uma fita,
a fita vai ser colorida, e a caixa, dos dias.
vou guardar a caixa embaixo do travesseiro,
porque embaixo do travesseiro, o hoje vira sonho...
e meu sonho de hoje é fechar os olhos e docemente pensar,
que alguém pensa em mim quando fecha os olhos.
vou dormir pra preservar as palavras,
para tornar as palavras o meu voto de verdade.
depois vou guardar essas verdades dentro de uma caixa,
e essa caixa vai ser amarrada com uma fita,
a fita vai ser colorida, e a caixa, dos dias.
vou guardar a caixa embaixo do travesseiro,
porque embaixo do travesseiro, o hoje vira sonho...
e meu sonho de hoje é fechar os olhos e docemente pensar,
que alguém pensa em mim quando fecha os olhos.
Olhar
Não me olhe com esses olhos acostumados...
Quero olhares, que, quando trocados, brilhem!
Luzes que reluzam feito estrelas em noite envelhecida,
Globos encharcados que se afoguem de mar,
Olhos, apaixonados, que se beijem no ar.
Quero olhares, que, quando trocados, brilhem!
Luzes que reluzam feito estrelas em noite envelhecida,
Globos encharcados que se afoguem de mar,
Olhos, apaixonados, que se beijem no ar.
Flor que canta
És tu, morena,
O sol dos meus dias!
O cravo e a canela,
Que cheira, que vela,
E, pelo sorriso, venera.
Desatino, em teu viver, o amor.
Que pintado, no teu rosto,
Virou cor!
Seja hoje e sempre,
A voz, que em ti, virou canção,
Como uma onda no mar,
Que balança brisa e coração.
O sol dos meus dias!
O cravo e a canela,
Que cheira, que vela,
E, pelo sorriso, venera.
Desatino, em teu viver, o amor.
Que pintado, no teu rosto,
Virou cor!
Seja hoje e sempre,
A voz, que em ti, virou canção,
Como uma onda no mar,
Que balança brisa e coração.
No dizer do adeus
Escrevi um livro,
Onde na mistura de letras e rabiscos,
Lê-se, entre linhas, o amor.
Nas páginas,
Nossos dias não vividos,
Lágrimas derramadas pelo coração,
E palavras, caladas pela porta de vidro,
Junto a capa, amarrei meu perfume.
Uma essência reservada aqui, para ti,
Mas que para não morrer sem exalar,
Largou-se de mim e embarcou na mala da tua partida.
Onde na mistura de letras e rabiscos,
Lê-se, entre linhas, o amor.
Nas páginas,
Nossos dias não vividos,
Lágrimas derramadas pelo coração,
E palavras, caladas pela porta de vidro,
Junto a capa, amarrei meu perfume.
Uma essência reservada aqui, para ti,
Mas que para não morrer sem exalar,
Largou-se de mim e embarcou na mala da tua partida.
Viagem de passagem
Coração, diz de andorinha,
Bateu as asas e voou.
Em algum canto dessa estrada,
Largado, sem pudor,
Em desatino a sofrer, só então perceber:
É, foi, amor.
Bateu as asas e voou.
Em algum canto dessa estrada,
Largado, sem pudor,
Em desatino a sofrer, só então perceber:
É, foi, amor.
Dica de chef
Quando for escrever o amor,
Use a mesma receita de brigadeiro.
No livro, para cada copo de leite,
Os ingredientes na exata sequência:
.2 colheres de açúcar;
.3 colheres de chocolate solúvel;
.Manteiga para untar;
.Granulado pra embrulhar;
No modo de fazer, siga os passos:
-Oito minutos no fogo, sem parar de mexer.
Atenção! Falta de cuidado embola a receita,
O doce queima, estraga.
Por fim, com carinho,
Escolha os melhores dias,
Modele-os em pequenas bolinhas.
E, com risos, encha-as de granulado colorido.
Embrulhe em uma caixinha e,
Antes que esfrie,
Bata na porta do vizinho,
E troque-as por beijinhos.
Use a mesma receita de brigadeiro.
No livro, para cada copo de leite,
Os ingredientes na exata sequência:
.2 colheres de açúcar;
.3 colheres de chocolate solúvel;
.Manteiga para untar;
.Granulado pra embrulhar;
No modo de fazer, siga os passos:
-Oito minutos no fogo, sem parar de mexer.
Atenção! Falta de cuidado embola a receita,
O doce queima, estraga.
Por fim, com carinho,
Escolha os melhores dias,
Modele-os em pequenas bolinhas.
E, com risos, encha-as de granulado colorido.
Embrulhe em uma caixinha e,
Antes que esfrie,
Bata na porta do vizinho,
E troque-as por beijinhos.
Jura
Se um dia duvidares do meu amor,
Peço que corras para a beira-do-mar.
Lá irás encontrar, em grãos,
A mesma proporção de beijinhos,
Que, com carinho, prometi dar na tua boca.
Peço que corras para a beira-do-mar.
Lá irás encontrar, em grãos,
A mesma proporção de beijinhos,
Que, com carinho, prometi dar na tua boca.
Retrouve
Quando o coração manda que sejamos fortes,
É sinal que ressurgiu a nossa vocação para as lágrimas.
Aí lembramos que em algum lugar da vida,
Deixamos um papel escrito:
“Esse é o meu último choro, a saudade morre aqui”,
Mas longe do sumiço, volvemos de água os olhos,
E só então percebemos que as nossas firmes promessas de retidão,
São as que mais uma vez se debruçam sobre o batente.
Quando as palavras se vão
Decidi que iria parar de escrever.
Coração perturbado e palavras,
Têm o mesmo risco de bebida e direção.
Agente fica na encruzilhada a vida toda,
E quando escolhe o caminho,
Vem um caminhão desgovernado,
E os pés que achavam ter ganho o mundo, desatam no chão!
Fica uma mala de couro cheia de lembranças,
Aquelas surradas sapatilhas vermelhas,
E de quebra, um coração todo amassado.
Só então agente percebe que pra remendar os frangalhos,
A solução é retomar com os próprios pés ao amor sem dor,
E como mendigo, tirar do bolso as duas palavras que restaram:
Perdão, voltei.
Coração perturbado e palavras,
Têm o mesmo risco de bebida e direção.
Agente fica na encruzilhada a vida toda,
E quando escolhe o caminho,
Vem um caminhão desgovernado,
E os pés que achavam ter ganho o mundo, desatam no chão!
Fica uma mala de couro cheia de lembranças,
Aquelas surradas sapatilhas vermelhas,
E de quebra, um coração todo amassado.
Só então agente percebe que pra remendar os frangalhos,
A solução é retomar com os próprios pés ao amor sem dor,
E como mendigo, tirar do bolso as duas palavras que restaram:
Perdão, voltei.
De dois
Bigamia é crime,
E coração partido, é o que?
Amor de dois, pode ser amor de três?
Ou será que dá cadeia?
Na dúvida, joga as alianças no lixo,
E manda o coração pro convento.
E coração partido, é o que?
Amor de dois, pode ser amor de três?
Ou será que dá cadeia?
Na dúvida, joga as alianças no lixo,
E manda o coração pro convento.
Novas regras gramaticais
Anunciaram!
Vão mudar a gramática.
A lei agora é fazer de nós dois, escrita.
Assim como quando pego as letras,
E vou colando, até virar poesia.
Indiquei a primeira mudança:
Tirarei a vírgula que nos separa.
Depois, vou virar a interrogação de lado,
Fazer de isca, e te puxar para o meu abraço.
Se fizer sol forte,
O circunflexo vai se prolongar,
E ao invés de cobrir só uma vogal,
Vai ser chapéu para ditongo, dois, em um lugar.
Mas se chover, aí não vai ter jeito!
Seu topete com gel em til vai desabar.
E mesmo se o trema prometer voltar,
Ainda não vai impedir da chuva nos molhar.
Completamente enxargados, pegaremos uma borracha.
Rapidamente, apagaremos os hífens e as aspas,
Então juntaremos a minha boca, e a sua boca,
Em muitos beijos, molhados.
Vão mudar a gramática.
A lei agora é fazer de nós dois, escrita.
Assim como quando pego as letras,
E vou colando, até virar poesia.
Indiquei a primeira mudança:
Tirarei a vírgula que nos separa.
Depois, vou virar a interrogação de lado,
Fazer de isca, e te puxar para o meu abraço.
Se fizer sol forte,
O circunflexo vai se prolongar,
E ao invés de cobrir só uma vogal,
Vai ser chapéu para ditongo, dois, em um lugar.
Mas se chover, aí não vai ter jeito!
Seu topete com gel em til vai desabar.
E mesmo se o trema prometer voltar,
Ainda não vai impedir da chuva nos molhar.
Completamente enxargados, pegaremos uma borracha.
Rapidamente, apagaremos os hífens e as aspas,
Então juntaremos a minha boca, e a sua boca,
Em muitos beijos, molhados.
Partida
Quando for dizer adeus,
Faça-o em palavras escritas,
Deixe-me um bilhete que diga:
"Amor, fostes doce, mas chegou a partida".
Pois só assim me iludiria,
Que não foi essa dor de mim,
Mas uma súbita loucura em ti,
Que me fez sofrer.
Faça-o em palavras escritas,
Deixe-me um bilhete que diga:
"Amor, fostes doce, mas chegou a partida".
Pois só assim me iludiria,
Que não foi essa dor de mim,
Mas uma súbita loucura em ti,
Que me fez sofrer.
Criança na chuva
Quando a chuva cair,
Vou virar o rosto para o céu,
E cada gota, que cair devagarinho,
Vai me encher de carinho,
Como se fosse um beijo seu.
Vou virar o rosto para o céu,
E cada gota, que cair devagarinho,
Vai me encher de carinho,
Como se fosse um beijo seu.
Feito flor
Ela é uma menina feita de flor:
Carrega as folhas na cabeça;
O perfume nos punhos,
As pétalas na pele,
E os espinhos no coração.
Carrega as folhas na cabeça;
O perfume nos punhos,
As pétalas na pele,
E os espinhos no coração.
Cheiro em verso
Meu cheiro nunca foi suficente.
Talvez por não senti-lo,
Sempre quis um pouco mais.
Começei uma procura minuciosa de mão em mão,
Larguei-me nos delírios que cada essência,
E entre uma nuca e outra,
Todas me deram nauséas.
Tornei-me especialista na área.
Em dois tempos decifrava os cheiros,
E mesmo assim, nada completava.
Até que vi um vulto,
Que por não parecer humano,
Acolheu em mim a esperança do novo,
E corri loucamente à sua procura.
Foram dias de luta,
Até que paramos na porta do céu,
Um lugar feito de água, algodão-doce e você.
E quando você virou, e o vento bateu na sua face,
O seu perfume se misturou de imediato com o meu,
E descobri naquele momento, ter perdido em você,
A essência que me faltava.
Talvez por não senti-lo,
Sempre quis um pouco mais.
Começei uma procura minuciosa de mão em mão,
Larguei-me nos delírios que cada essência,
E entre uma nuca e outra,
Todas me deram nauséas.
Tornei-me especialista na área.
Em dois tempos decifrava os cheiros,
E mesmo assim, nada completava.
Até que vi um vulto,
Que por não parecer humano,
Acolheu em mim a esperança do novo,
E corri loucamente à sua procura.
Foram dias de luta,
Até que paramos na porta do céu,
Um lugar feito de água, algodão-doce e você.
E quando você virou, e o vento bateu na sua face,
O seu perfume se misturou de imediato com o meu,
E descobri naquele momento, ter perdido em você,
A essência que me faltava.
O dia que meu avô se foi...
E agora, vô?
As ruas do Brás já não serão as mesmas sem você.
Toda São Paulo comovente virou um grande vulto,
E nesse conglomerado tá tudo vazio, cá dentro.
Vô, por quê?
A gente fez um acordo, não lembra?
Meus desenhos em teus tecidos,
Era pra virar "grife chick de gringo",
Era a nossa sociedade, vô!
Vô, por que eu só te conheci aos 12?
Foi pouco tempo pra nós dois...
Por que você comia tanto doce escondido?!
Era eu a responsável pela tua insulina! Falhei, vô.
Vô, em seis anos você meu deu tantos presentes,
E eu só te paguei dois pastéis no mercado central.
Por quê?
Primeiro você disse que eu ia ser atriz,
Depois você disse que eu seria apresentadora de TV,
E agora, vô? O que eu vou ser sem você?
Dentro desta caixa que te colocaram,
Tu te despedes sem poder ver todo esse concreto que tanto quisestes,
Então te digo aquelas primeiras, e agora, últimas palavras:
"O céu de São Paulo continua cinza, vô"
Mas nesse véu de desdém, agora sou eu quem chove.
As ruas do Brás já não serão as mesmas sem você.
Toda São Paulo comovente virou um grande vulto,
E nesse conglomerado tá tudo vazio, cá dentro.
Vô, por quê?
A gente fez um acordo, não lembra?
Meus desenhos em teus tecidos,
Era pra virar "grife chick de gringo",
Era a nossa sociedade, vô!
Vô, por que eu só te conheci aos 12?
Foi pouco tempo pra nós dois...
Por que você comia tanto doce escondido?!
Era eu a responsável pela tua insulina! Falhei, vô.
Vô, em seis anos você meu deu tantos presentes,
E eu só te paguei dois pastéis no mercado central.
Por quê?
Primeiro você disse que eu ia ser atriz,
Depois você disse que eu seria apresentadora de TV,
E agora, vô? O que eu vou ser sem você?
Dentro desta caixa que te colocaram,
Tu te despedes sem poder ver todo esse concreto que tanto quisestes,
Então te digo aquelas primeiras, e agora, últimas palavras:
"O céu de São Paulo continua cinza, vô"
Mas nesse véu de desdém, agora sou eu quem chove.
Um anjo à primeira vista
Depois de duas notas,
Abri os olhos e vi:
Um anjo, envolto de azul e silêncio,
Fez a melodia aflorar em mim.
Nos seus cabelos me abracei,
Nos seus olhos mergulhei,
E antes da terceira estrofe,
Amei.
Abri os olhos e vi:
Um anjo, envolto de azul e silêncio,
Fez a melodia aflorar em mim.
Nos seus cabelos me abracei,
Nos seus olhos mergulhei,
E antes da terceira estrofe,
Amei.
Soneto do minuto
Depois da curva,
O grito virou trem.
A moça, admirada com o belo,
Esqueceu de entrar, e ele partiu.
Depois de um minuto,
Colocando a mão no bolso,
Ela percebeu o roubo,
E deu um grito, no vento, solto.
Da janela, o moço sério,
Olhou-a com pena e mostrou o furto:
Um coração amassado.
Permaneceram em silêncio,
Até que o trem virou a curva,
E sumiu.
O grito virou trem.
A moça, admirada com o belo,
Esqueceu de entrar, e ele partiu.
Depois de um minuto,
Colocando a mão no bolso,
Ela percebeu o roubo,
E deu um grito, no vento, solto.
Da janela, o moço sério,
Olhou-a com pena e mostrou o furto:
Um coração amassado.
Permaneceram em silêncio,
Até que o trem virou a curva,
E sumiu.
Perdão, querido
Não me basta todo o teu amar.
Não te afobes!
Assim você vai se afogar...
Respire fundo e escute,
Pela última vez vou dizer:
Sem o meu amar,
Não podemos virar par.
Não te afobes!
Assim você vai se afogar...
Respire fundo e escute,
Pela última vez vou dizer:
Sem o meu amar,
Não podemos virar par.
Palavrei-me
Cansei das palavras poucas!
De puritano morreu o homem mudo.
Quero palavras muitas!
Palavras que me prendam e me condenem;
Palavras estravagantes;
Palavras que me punjam e estremessam;
Palavras doces que me elevem ao sublime...
Quero tanto as palavras!
Como perfume é pro cheiro,
Como seda é para o toque,
Como é o chocolate para a boca.
E confesso que até suporto se forem poucas,
Desde que carregem minha maior exigência:
Sejam palavras palavreadas só para mim.
De puritano morreu o homem mudo.
Quero palavras muitas!
Palavras que me prendam e me condenem;
Palavras estravagantes;
Palavras que me punjam e estremessam;
Palavras doces que me elevem ao sublime...
Quero tanto as palavras!
Como perfume é pro cheiro,
Como seda é para o toque,
Como é o chocolate para a boca.
E confesso que até suporto se forem poucas,
Desde que carregem minha maior exigência:
Sejam palavras palavreadas só para mim.
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